terça-feira, 20 de junho de 2017

Financeira Negresco é confiável? Vale a pena?



A pedido de um dos leitores, fiz essa postagem em um tom mais informal, tá? Mas não se deixe iludir com a informalidade... porque mesmo que em um tom mais descontraído, nessa postagem você vai encontrar a mesma besteira qualidade financeira de sempre.

Você conhece a Negresco? Provavelmente não, né.... mas e se eu te oferecer 120% do CDI com liquidez diária e garandia do FGC... tá bom pra você?

Pois é... também achei bom demais pra ser verdade.... mas é isso que está prometendo a LC da financeira Negresco, ou Credipar.... 120% do CDI com liquidez diária. Trata-se de uma financeira do Paraná que anda fazendo sucesso nas redes sociais da finansfera, e que era desconhecida da maioria até agora. Cá entre nós que Negresco pra mim é nome de bolacha, mas já que todo mundo só fala dessa nova opção de bolacha investimento, vamos aos números e aos fatos, pra ver qual é dessa LC que paga tanto... seria a nova Caruanã?

Veja qual é o produto que eles oferecem...





Produto: LC Negresco
Garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito: Sim
Valor mínimo: R$ 10.000
Prazo: Até 5 anos
Tributação: 15% até 22,5%
Indexador: 120% do CDI








 Como é de costume, primeiro fiz minha pesquisa pessoal sobre a empresa, e olha o que encontramos:

1. É dificil procurar informações pela empresa. A maioria das buscas nos leva a imagens de pacotes de biscoito... pra encontrar algo tem que refinar a pesquisa... Curiosamente uma das imagens abaixo é um gráfico de 2011 (veja a imagem pequena ali embaixo da bolacha) com título "dinheiro caro", que mostra que a negresco teria uma das 10 maiores taxas de juros a empréstimos pessoais


Veja o gráfico no detalhe quando buscamos "negresco" no google

Ainda bem que a gente não precisa de empréstimo, né?


2. O site deles é bonitinho até. Não é lá grandes coisas, mas é razoável. As  imagens de pessoas parece que foram copiadas e coladas diretamente do Shutterstock, com um monte de gente branca e sorridente. Nada original. Oferecem diversos tipos de crédito e financiamento para pessoas físicas e jurídicas.


3. A empresa realmente existe. Pode parecer besteira, mas uma simples consulta no Google Street view pelo endereço das empresas muitas vezes nos leva a galpões abandonados.... (alguém falou em BIVA?). O prédio da Negresco é grande, bonito, e fica na capital do Paraná, Curitiba. Ponto positivo para a Negresco.




4. A reputação da empresa no "Reclame Aqui" é meia boca... Teve 35 reclamações nos últimos meses, e nem todas foram resolvidas de forma adequada. Ainda assim, praticamente todas elas são relativas a pessoas que pegaram empréstimos com eles e receberam cobranças indevidas, ou tiveram dificuldade em limpar o nome sujo, etc. Não encontrei reclamações de investidores.
Reclame aqui da Negresco / Credipar. Mais ou menos, né?
5. O balanço da empresa parece ótimo. Conforme informações do Bancodata, a Negresco vem apresentando lucro ano após ano... parece ser uma empresa saudável e de grande porte. Antes de quebrar ou dar calote, a empresa teria que operar no prejuízo um bom tempo... isso dá uma segurança adicional ao investidor, né?

Bem... aparentemente tá tudo certo com a empresa do ponto de vista do investidor... então pra tirar a teima, entrei em contato com a Negresco, pedindo maiores informações sobre essa LC a 120% do CDI, e veja a resposta:
O investimento mínimo é de R$ 10 mil, com liquidez diária. O prazo máximo é de 5 anos.
Caso queira realizar cadastro conosco, solicitamos preenchimento do formulário anexo, assinar e devolver digitalizado juntamente com a cópia dos seguintes documentos:
· RG,CPF, COMPROVANTE DE ENDEREÇO E DE RENDA e CERTIDÃO DE CASAMENTO.
Após o cadastro, enviamos dados bancários para que efetue a TED.
Enviamos a Nota de Negociação assinada pelos diretores, digitalizada para seu email em D+1, em seguida original via correios.
Não cobramos taxas.
Ficamos à disposição para qualquer esclarecimento.
Depois de fazer o investimento com eles, você recebe a tal nota de negociação por e-mail, conforme modelo abaixo:

Nota de negociação Negresco. Fonte: Fórum Hardmob

Conclusão: E aí, o que acharam? Pra mim, a financeira Negresco / Credipar parece ser uma empresa sólida. Fico meio cabreira por que motivo eles oferecem um produto com uma taxa tão acima da normal de mercado para liquidez diária... pois quando a esmola é muita o santo desconfia. Ainda assim, não consegui descobrir nada que desabone a empresa, portanto nesse momento para mim parece ser uma boa opção para quem quer investir em um produto coberto pelo FGC e com uma taxa altíssima (120% do CDI, com liquidez diária e 15% de imposto de renda). Acredito que a não ser que venha alguma "novidade" por aí, deve se tratar de algum tipo de captação emergencial... e essas taxas devem cair em pouco tempo.

E você, tem alguma informação adicional sobre a Negresco que eu não tô sabendo? Por favor deixe nos comentários para eu atualizar o post!!
Beijocas!!

Disclaimer: A postagem acima trata-se apenas de minha opinião pessoal... não sou analista profissional, portanto invista ou não na Negresco conforme seu juízo por sua conta e risco...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Parmetal é confiável? Como investir em Ouro?


Em momentos de crise, a gente procura correr para investimentos mais seguros... afinal, ninguém gosta de perder dinheiro, né? Recentemente as movimentações políticas causaram um caos na bolsa de valores: juros futuros foram para as alturas, e tivemos uma queda de mais de 10% em um único dia na bolsa, levando ao famoso "circuit break", que é a interrupção das negociações.

Muita gente que estava "cozinhando" títulos do Tesouro Direto ou mesmo ações teve perdas expressivas, com quedas que chegaram a 40%, no caso da Cemig por exemplo.

Após esse episódio trágico, tenho visto muitas pessoas buscarem ativos alternativos, para fazer uma espécie de "hedge" com investimentos tradicionais, e esses investimentos são principalmente dólar e ouro.

Este post é principalmente sobre a compra de ouro, então vou deixar o dólar para lá. Mais do que falar sobre ouro, vou falar sobre uma das formas mais baratas de se comprar ouro, que é através da corretora/fundidora Parmetal DTVM.

Qual é a grande dificuldade de se investir em ouro? O problema tem um nome só "custódia". Diferente de um CDB ou outro tipo de papel, o ouro é algo "real", e seu alto valor atrai ladrões de toda espécie. Dessa forma, ao investirmos em ouro, nosso precioso investimento precisa ficar armazenado em um cofre em algum lugar, e o custo para manter o metal armazenado muitas vezes acaba sendo proibitivo. Mais quais são as alternativas para se investir em ouro, afinal de contas?

1 - Títulos de ouro na bolsa de valores - Pode ser facilmente comprado como se fosse ações, tanto no mercado futuro quanto mercado à vista, em qualquer corretora... Esses títulos são vendidos na bolsa com códigos como OZ2D. O problema é que a custódia é altíssima, chegando a cerca de 2% ao mês conforme a corretora. O spread de compra e venda também é alto, de forma que os custos operacionais são altos demais para nós sardinhas. Imagine só, você pagar 2% do seu ouro todo mês, em 50 meses não sobra quase nada... Mesmo que a corretora não cobre custódia, o ouro escritural tem a custódia da bovespa, que também é muito alta. Para o cálculo da custódia eles usam uma fórmula que eu sinceramente achei complicada demais.... mas que pelas minhas contas deve dar cerca de 0,1% ao mês. Pra quem quiser conferir  as contas, aí vai, conforme encontrei no site da Bovespa:

"O valor da taxa de custódia é determinado conforme a equação a seguir:




Onde:
 PmgOZ1: preço médio do grama de ouro OZ1 observado na data de referência;
Scfd : saldo de custódia ao final da data de referência."

Me corrijam se minha conta estiver errada, mas vamos fazer um calculo para uma pessoa que tiver 200 gramas de ouro custodiada, usando essa formula, digamos que o ouro esteja a 130 reais o grama:

(130 x 0,105% x 200) = R$ 27,30 por mês. 

Será que pagar R$ 27,30 por mês, ou R$ 327 ao ano para custodiar 26 mil reais não é demais?

2 - Comprar barras de ouro e guardar em casa - Podem ser encontradas facilmente pela internet... Elas podem ser compradas de diferentes fundidores (na própria bolsa de valores, no Banco do Brasil, na Ourominas)....  apesar de ser muito legal ter barras de ouro em casa, eu só posso recomendar isso se for para dar de presente para sua namorada... afinal de contas, não moramos na Suécia, e ter barras de ouro em casa é pedir para ser assaltado. Pra piorar, se você quiser vender suas barras, vai ter que antes pagar por uma perícia (recertificação) para garantir que você não adulterou as barras... e lá se vai seu ouro.

Barrinhas de ouro Ourominas
3 - Fundo Órama Ouro - Existe um fundo a venda na Órama que é vinculado ao preço do ouro. Tenho visto muito alarde e gente recomendando este fundo, entretanto eu não gostei desse fundo como investimento, pelos motivos abaixo:


Primeiro, que ele é um fundo multimercado, apesar de trabalhar apenas com ouro. Isso significa que em qualquer resgate voce fica sujeito a pagar 15% de imposto sobre qualquer rendimento, e perde a isenção de venda até 20 mil reais que o ouro "verdadeiro" oferece. Se você considerar que o ouro não "rende", apenas tem seu valor atualizado, na prática você acaba perdendo 15% do seu ouro... ruim, né?  Segundo que para investir no fundo você tem que pagar taxa de administração, que vai de 0,6% a 1,1% ao ano. Pode parecer pouco, mas levando em conta que seu ouro não vai se multiplicar (não sofre ação de juros)... na prática você perde 0,8% do seu capital todo ano. Lembre-se que o próprio fundo também vai pagar a custódia e demais custos operacionais para investir no ouro... então a isso vai se somar a taxa de administração.  Terceiro, por ser um fundo multimercado, vai ter ação do maligno come-cotas... que literalmente come suas cotas - ou seu ouro - portanto não consigo ver esse fundo como algo em que eu colocaria meu dinheiro. Tenho visto muita gente (blogs e sites) recomendando esse fundo, mas estou desconfiada de que existe algum sistema de afiliados por trás dessas indicações, já que nenhum desses lugares sequer apontou esses problemas que eu citei acima...

 Então... e agora, como faço pra investir em ouro a custos baixos?

Procurando "comprar ouro" no google, o primeiro link que aparece é: "Parmetal DTVM". Mas o que é a Parmetal? A Parmetal é uma fundidora / revendedora de ouro das maiores do Brasil. Eles possuem a empresa de fundição das barras, e revendem o ouro para quem quiser comprar através de uma corretora própria chamada Parmetal DTVM. 

E será que a Parmetal é confiável?

Pois é... essa foi a pergunta que eu me fiz também. Será que dá pra confiar?

Para tentar responder a essa pergunta, fiz uma pesquisa sobre a empresa, e veja o que eu descobri até agora, que são indicadores indiretos de  credibilidade:

1 - A empresa existe desde 1968. É uma das maiores negociadoras de ouro no Brasil. Possui registro na CVM e está sujeita portanto à fiscalização como uma corretora de valores qualquer. 

2 - Possuem um site bonito, são muito profissionais, com uma equipe de atendimento de primeira (todos são muito ágeis e educados). Me pareceu ser uma empresa séria.



 3 - No ano de 2012 a empresa esteve envolvida na mídia em uma operação da polícia federal chamada "Operação Eldorado", que investigava garimpos ilegais em áreas indígenas e comércio de ouro de origem obscura. Não sei no que deu essa operação, pois nao encontrei mais notícias de 2013 pra frente sobre o assunto. Ponto negativo para a Parmetal.

4 - A Parmetal, apesar de negociar volume altissimo de ouro (segundo eles maior que a própria Bovespa), tem boa reputação no "reclame aqui", com apenas uma reclamação, a qual foi resolvida com o cliente satisfeito. Apesar de o "reclame aqui" não ser um órgão oficial, tem funcionado bem para se avaliar a reputação de empresas. 

5 - Os custos operacionais para se investir em ouro na Parmetal são bem inferiores às opções citadas anteriormente neste post, e eles não cobram custódia, além de ter um spread compbra/venda bem baixo, tornando o investimento atrativo.

6 - O balanço da Parmetal tem estado bom nos últimos anos... conforme apuramos no site bancodata. Deu prejuízo nos últimos dois trimestres, o que é bom ficar de olho, mas por si só não é o fim do mundo.


Lucro Paremetal - Fonte: BancoData


  7. A empresa possui um aplicativo para iphone / android.  Para manter aplicativos atualizados (especialmente na plataforma iphone) é necessaria uma infra estrutura significativa de TI (mesmo que tercerizada), o que envolve custos significativos e demonstra um certo porte da empresa. Pra voces terem uma idéia, publicar um aplicativo na Apple Store é extremamente burocrático e chato. Além disso o sistema está o tempo todo sendo atualizado (necessitando manutenção de software) e tem que se manter um servidor dedicado, alimentar os dados, etc... ponto positivo pra Parmetal. O aplicativo é bem feito, e tem um visual bonito, superando até mesmo aplicativos de bancos relativamente grandes como Inter(medium):

Aplicativo para iPhone da Parmetal: bonito né?


8. Existe número de 0800 - Manter uma linha de 0800 também não é algo para peixe pequeno... +1 para a Parmetal. 


9. O processo de cadastro do investidor é simplificado demais - Apesar de isso ser uma facilidade para quem quer investir, pode deixar margem para fraudes (externas), o que não é bom, né? Conforme o caso dá pra investir com eles sem nem sequer mandar cópia de nenhum documento... Eles chamam isso de "cadastro siplificado", que é descrito no site da empresa da seguinte forma:  "Consiste na inserção dos dados do cliente nos sistemas da empresa, sem haver a necessidade de documentação. Este procedimento  é adotado, segundo o conceito de cliente eventual, que na empresa recebe os seguintes limites de operação:  Limite mensal de R$ 10.000,00 e Limite anual de R$ 120.000,00."
Veja que o que eles definem como "cliente eventual", supera os investimentos mensais e até mesmo anuais da imensa maioria das pessoas. Quem vai investir mais do que 120 mil em ouro em um ano?

Tá... mas e aí, dá pra confiar na empresa para investir?


Bem... eu não vou responder a esta pergunta... afinal  nem eu tenho uma resposta exata, já que isso é a critério de cada um, né?  Mas com as informações que eu consegui acima, creio que você já tenha algo para ajudar a tomar sua decisão. Para o meu critério pessoal de investimento, dá pra investir com eles sim, mas uma porcentagem do capital no máximo de uns 12%, porque se eles quebram, não é bom ter muito dinheiro aplicado né?

E como faço para comprar ouro com eles?

 O processo é super simples: Você entra em contato com eles (pode ser até por Whatsapp), faz um cadastro simplificado, e em 15 minutos já pode fazer sua primeira operação.  Vou deixar os números a seguir, que retirei do site deles (está no quadradinho da imagem).  Depois que você tiver feito o cadastro, eles indicam um "gerente", com o qual você fará contato sempre que quiser comprar mais, e essa pessoa será responsável por lhe repassar a cotação. O contato e a compra com o gerente pode ser feito por e-mail, telefone, ou Whatsapp. O gerente diz a cotação, você diz quantos gramas quer comprar, faz um TED para a conta da Parmetal, e no dia seguinte eles enviam para você a nota de negociação (por e-mail ou Whatsapp). Para saber o saldo de seu investimento, você deve consultar o gerente. 


O atendimento por whatsapp funciona muito bem

Quais as modalidades de ouro vendidas pela Parmetal?

 A Parmetal vende ouro de duas formas diferentes:


"Ouro Escritural" ou "Ouro custódia" -  Essa é a modalidade mais indicada para investidores. Você compra o ouro, porém ele fica armazenado lá na Parmetal, e você apenas recebe uma "nota de compra". Eles não cobram nada pela custódia do seu ouro, e você pode retirar o ouro na empresa a qualquer momento, se quiser - pelo menos é o que eles prometem. O spread de compra e venda é bem baixo - menos de 1% - eles garantem a recompra e não cobram nenhuma taxa oculta além do spread nas operações. Para vendas até 20 mil reais você ainda tem a isenção de imposto em caso de venda com lucro. O processo de compra é simples e feito todo por telefone, e-mail, ou whatsapp, via agente. Depois que fizer o cadastro, a sua "gerente" envia todos os dias a cotação do ouro via e-mail ou WhatsApp, e para comprar é só responder dizendo que quer comprar, e a quantidade. Daí você faz um TED para eles no valor.

Mensagem de Whatsapp enviada
diariamente pela gerente da Parmetal

Veja que a diferença de spread compra/venda nessa data era de R$ 1,1, ou 0,83%, e esses são os únicos custos operacionais para se operar o ouro custódia da Parmetal.

 "Ouro em barra", modalidade em que você compra o ouro e eles enviam por Sedex, ou você busca na sede da empresa. Acho perigoso pelo risco de assalto. As barras deles também não são bonitas como as da Ourominas, então nem para dar de presente é bom.  Pra piorar, apesar de eles garantirem a recompra, o ouro tem que passar por um processo de recertificação (perícia), então acaba saindo caro demais investir por essa modalidade, a não ser que você seja um pirata e tenha intenção de enterrar seu tesouro. Apesar de ser inseguro deixar ouro em casa, nessa modalidade você não corre o risco de a empresa quebrar e você perder seu dinheiro.  Os custos da recertificação estão embutidos no preço de recompra (spread), que vai ser maior. Veja no exemplo da mensagem acima: enquanto a recompra do ouro custódia paga R$ 130,60, a recompra do ouro físico paga apenas R$ 129,40, o que implica num custo de R$ 1,20 por grama para recertificação das barras - quase 1%. Também é cobrada uma taxa irrisória de R$ 8 por cada barra entregue, a título de custo de fundição e embalagem. Há também mais R$ 10 a título de Sedex, se você escolher que seu ouro seja entregue pelo correio. As vantagens dessa modalidade de compra é que você tem o produto em mãos... e cá entre nós, deve ser muito legal ter barrinhas de ouro em casa, né?


Quais os riscos de se investir com a parmetal?

Como não tenho nenhuma ligação com a empresa, vou colocar aqui alguns riscos que pensei existirem - pelo menos em potencial - ao se investir com a Parmetal. Não estou nem falando apenas dos riscos intrínsecos de se investir em qualquer ativo de renda variável (dólar, ouro, ações, etc), mas sim de riscos em potenciais devido ao modelo do negócio - tal qual comentei quando falei da BIVA: 

-Risco da cotação do ouro cair - Por ser um ativo sujeito a políticas externas, o produto pode sofrer variações importantes ao longo do tempo. Entram aqui grandes "players" como o Banco Central da Rússia e da China. Estes dois países tem aumentado de forma significativa suas reservas em ouro, ao meu ver para diminuir a influência americana e a importância do dólar em suas economias e no mercado internacional. A adoção (ou não) de lastro em ouro por países grandes pode afetar de forma significativa a cotação internacional do ouro. Crises financeiras internacionais (como a de 2008 por exemplo), ao contrário, podem fazer a cotação do ouro subir muito.

Rússia e China vêm comprando ouro de forma massiva


-Risco da empresa quebrar - Uma vez que investimento em ouro não é coberto pelo FGC (fundo garantidor de crédito), se a empresa quebrar o investidor pode ter dificuldade para conseguir retirar seu ouro que estava custodiado. Você tem um papel dizendo que você tem tantos kg de ouro lá na empresa... mas de que vale esse papel se a empresa falir?
-Risco de liquidez - Será que em caso de um "crash" mundial na bolsa ou outra crise que provogue resgates em massa do ouro custodiado, eles realmente vão ter liquidez? Mesmo em caso de uma retirada maciça? Duvido muito, pois a empresa simplesmente não teria como garantir a recompra em um cenário de crise grave (Black Swan). Nesse caso, você teria seu ouro custodiado na empresa mas não teria como revendê-lo ou resgatá-lo... Em condições normais a empresa garante a recompra, mas em um cenário de crise grave não há como garantir. Digamos que o mundo entre em um colapso, como por exemplo um hipotético apocalipse zumbi: Nesse momento será de grande valia possuir barras de ouro em mãos... mas talvez o dono da Parmetal tenha a mesma idéia, né?
-Risco de "ouro fantasma" - O modelo de negócio possibilita que seja "vendido" ouro que não existe, ou seja, uma venda sem lastro. A empresa poderia simular uma venda de ouro, pegar seu dinheiro e colocar em outros ativos, ou até mesmo cobrir prejuízo da empresa. Isso passaria despercebido pelo investidor, que em caso de uma retirada, ou mesmo de uma retirada em massa numa crise global descobrira que o seu dinheiro foi na verdade investido em outro ativo (ex: renda fixa) e que não há ouro algum. Obviamente estou falando sobre uma operação ilegal, o que dependeria de ações de funcionários desonestos da empresa, mas não se pode afastar que isso vá um dia ocorrer, já que estamos no Brasil né? 

Conclusão:

O custo operacional para se investir via Bovespa (custódia) ou Fundo Órama (taxa de administração) me parece alto demais. Para quem quer investir em ouro, não existem muitas alternativas com custos operacionais baixos além da Parmetal, e esta parece para mim ser a opção mais viável, entretanto devemos nos manter de olho aberto ao negociar com a empresa, particularmente devido ao histórico de envolvimento na Operação Eldorado da Polícia Federal, que, como disse, não sei qual foi o desfecho, mas ainda assim é um sinal de alerta. O balanço negativo da empresa nos últimos dois trimestres também é algo para se ficar atento, principalmente se a empresa continuar no vermelho. Podem existir outras formas de investir em ouro, e fico à disposição para novas informações nos comentários, que serão adicionadas ao post original.

obs: Postagem atualizada em junho/17 em atenção ao feedback dos leitores nos comentários



 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Socinal Financeira: Vale a pena? Socinal é confiável?

Com as constantes quedas da SELIC e das taxas de juros em geral, estamos cada vez mais tendo dificuldade para encontrar investimentos seguros e rentáveis. As famosas LCIs do banco Intermedium, infelizmente, já não são mais o que um dia foram. As taxas caem a cada dia, conforme o banco cresce e fica mais e mais parecido com um "bancão". Se eles começarem a cobrar mensalidade, para mim não será surpresa. Até a  boa e velha "Caruanã", que era tida como um bastião dos investidores corajosos, com seus RDB com  taxas pra lá de altas (chegou até 140% do CDI) já não é mais a mesma, e hoje tem taxinhas mixurucas (em comparação às antigas). 

E agora?? Pra onde correr??  

Um dos grandes problemas para o investidor é conseguir unir rentabilidade e liquidez. Quanto mais os títulos de renda fixa rendem, menos liquidez a gente tem, e isso pode ser frustrante para as pessoas que se sentem mal só de pensar em deixar seu dinheiro preso. Me lembro das LCI da CHB (Companhia Hipotecária Brasileira), que tinham vencimento para 7 anos.... e até da própria Caruanã Financeira, com RDB de 7 anos... Mas... e se eu quiser rentabilidade e liquidez ao mesmo tempo, quais são as opções?

Já de cara temos os tradicionais CDBs do banco Sofisa e Intermedium, com as já consagradas taxas de 100% do CDI para liquidez diária. Ótimo, né? Mas.... e quem quiser um rendimento maior, sem abrir mão da liquidez, quais seriam as opções?

Pra quem está em um "grupo" de investimentos do banco Intermediu, as taxas são de 105% do CDI, o que é bom, mas não é lá uma Brastemp. Pra quem quer ainda mais.... acaba sobrando uma única alternativa: A financeira Socinal. 

Eu não tenho nada investido lá...e pra ser sincera, nem sabia se eles ainda tinham as "famosas" LC de 118% do CDI com liquidez em D+3.... por isso, fiz uma pesquisa para ver como andavam as coisas por lá, para planejar meus próprios investimentos. O resultado da minha pesquisa foi.... SIM!!! A LC Socinal com liquidez "tri-diária" ainda está lá, e rende até 118% do CDI. Mas vamos aos fatos concretos:

Primeiro - O produto LC da SOCINAL

A Socinal opera com LC, que são um produto praticamente idêntico a um CDB, só que emitido por financeiras, e não por bancos. De forma geral, CDB e LC são ambos são títulos de renda fixa com características semelhantes, contudo, as LCs tendem a ter um rendimento maior A tributação é de 15%, seguindo a escala regressiva de imposto de renda fixa. Quanto maior o tempo do seu investimento, menor será o imposto devido. O imposto incide tão somente sobre os ganhos do seu investimento, e não sobre o valor investido. A Receita Federal instituiu a seguinte tabela:

Até 180 dias  22,5% do rendimento
De 181 a 360 dias 20% do rendimento
De 361 a 720 dias 17,5% do rendimento
Mais de 720 dias 15% do rendimento


O produto é protegido pelo FGC. Assim como na caderneta de poupança, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) funciona como um seguro e garante aplicações com valores até R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) por investidor/CPF. Além do mais, todas as LCs Socinal são registradas no CETIP.

O valor mínimo para investir é de R$ 5.000

A LC da Socinal Financeira é enquadrada na categoria "Renda Fixa com FGC escalonada".  Ou seja... o rendimento vai ser proporcional ao tempo em que você deixa o dinheiro lá, da seguinte forma:

"Posso retirar o dinheiro a qualquer momento? Ou é só no vencimento?

Sim, após fazer um agendamento com no mínimo 3 dias úteis.
Contudo, o rendimento sofrerá um abatimento e será compatível com uma aplicação que tivesse sido feita para o prazo em que existiu. Exemplo:
Se você aplicou em uma LC com vencimento em 36 meses com rendimento de 118% do CDI, mas resgatou com 26 meses, o rendimento será calculado com a porcentagem referente ao título de 24 meses, ou seja, 115% do CDI."

 Mas como está o balanço / rating da Socinal??


 O balanço deles está bom, até o momento sem sequências de prejuízo que possam assustar, conforme abaixo:





 
Lucro Líquido Socinal. Fonte: Bancodata







 Como podemos ver, a empresa está mantendo um lucro razoável nos últimos anos / trimestres, salvo no ano de 2015 em que operou no vermelho.

Conclusão:

Ao meu ver, a Socinal Financeira tem trabalhado durante vários anos com seriedade, sem pregar preças nos investidores, e a LC escalonada deles me parece ser o produto de renda fixa com liquidez que apresenta maior rentabilidade do mercado. Quanto à segurança, por ser uma financeira, e não um banco, entendo que esteja mais sujeito a interpéries ou problemas focais, mas já que tem FGC.... a segurança no final das contas acaba sendo muito boa. Se você é adepto da máxima "Segura na mão do FGC e vai...", fica aí mais uma dica ou palpite de opção de investimento em tempos de juros baixos! 

Atualização em Junho/2017 - Para nossa desgraça, a Socinal abaixou as taxas... Vou manter o post original como foi escrito, mas se prepare para valores significativamente menores que os descritos na postagem.

 

sábado, 6 de maio de 2017

BIVA - Há risco de fraude com empresas laranja?



Com a queda dos juros, cada vez mais nos chama a atenção a BIVA. Para quem ainda não conhece, a BIVA é uma empresa que iniciou há uns 2 anos no mercado financeiro, oferecendo investimentos com rendimentos muito acima do mercado (ex: 175% CDI), lastrados em empréstimos para pequenas empresas. O "mote" da BIVA é que ele ajudam aos pequenos-médios empresários a conseguir financiamentos a bons custos, e ao mesmo tempo ajudam os investidores a conseguir rendimentos acima de um CDB normal. Para quem não conhece a BIVA, vale a pena dar uma lida antes nesse outro post em que expliquei como funciona a BIVA.

Mas qual é a diferença da BIVA para um CDB ou RDB normal? Explico:

A BIVA capta empresas que estejam interessadas em empréstimos. Também capta investidores que estejam interessados em emprestar dinheiros para estas empresas. Fazendo a intermediação dessa operação, eles tiram o lucro deles. Nada mau, não é?  A diferença entre BIVA e um CDB é que nessa operação você não empresta seu dinheiro à financeira, mas sim diretamente ao empresário, que se der calote, é o investidor que arca com o prejuízo. 

Tenho acompanhado o desenrolar das operações da BIVA desde o início, quando ela trabalhava com um modelo diferente (em que a BIVA dava garantias de pagamento), até o desenvolver de um novo modelo, que funciona sem garantias, porém com pacotes de empresas - que eles chamam de portfolios - de forma a diminuir o risco. Assim, o investidor empresta seu dinheiro para um grupo de empresas, mitigando o risco específico, e recebe mensalmente parcelas de pagamento.

É impressionante o quanto a empresa cresceu, e tem conseguido operar de forma sólida. Atualmente na carteira de empréstimos - ou portfolios - deles há muitos milhões de reais...  que tudo indica estarem indo bem, com um cronograma de pagamentos regular. Todo esse crescimento, e taxas de rentabilidade que chegam a 200% do CDI começam a fazer a gente "crescer os olhos" pra eles, e começa a dar vontade de investir uns trocados com a BIVA...  Entretanto, nesse post quero alertar a aqueles que pretendem investir com a BIVA - eu mesma me incluindo aqui - para um risco potencial que o modelo de negócios deles traz: O uso de empresas laranja + calote "arranjado"
Antes de tudo, gostaria de dizer que não existe nenhum indício ou sequer alguma suspeita de que ocorra esse esquema fraudulento com a BIVA. Estou apenas apontando uma fragilidade no modelo de negócio, que potencialmente poderia levar a gestores ou funcionários desonestos da empresa a montar um esquema de fraude, aos moldes do que  frequentemente vemos aqui no Brasil, como ocorreu na Petrobrás, Odebrecht, e tantas outras empresas. Temos visto na mídia inúmeras formas de maquiar golpes e desvios de dinheiro, sempre se usando empresas de fachada: "consultoria", "palestras",  e até mesmo deixar sítios e triplex no nome de um "amigo" são algumas trutas famosas.

O uso de empresas "laranja" para maquiar negócios fraudulentos já é antigo aqui no Brasil, basta  uma pesquisa de  10 segundos no google e ficamos impressionados em ver o quanto isso é comum. Mas voltemos à BIVA. Como poderia ocorrer fraude na BIVA usando uma empresa laranja?

O esquema de fraude poderia ocorrer da seguinte forma: Em um portfólio de valor alto (ex: 2 milhões) e muitas empresas (umas 10), é incluída uma empresa de fachada. Esta empresa toma um empréstimo de valor alto, como por exemplo R$ 300 mil reais, dá um calote (previamente arranjado). O dinheiro vai para o bolso dos golpistas, e o investidor "paga a conta". Como o valor desviado seria baixo em relação ao total do portfolio, pouca gente iria dar falta. Veja que não precisaria de muito para que a fraude ocorresse. Bastava o envolvimento de alguns funcionários (ou dos próprios donos) da BIVA, e seria relativamente fácil montar o golpe.

A pergunta agora é.... como detectar ou evitar algo assim?

Existem diversos mecanismos de fiscalização que poderiam ajudar a evitar ou detectar a fraude, mas todos eles envolvem de uma forma ou de outra maior transparência nos contratos, bem como auditoria externa, tanto na fase de captação, como na fase de cobrança de eventuais calotes. Infelizmente, transparência é algo difícil de se ver na gestão de projetos financeiros. Recentemente tivemos um episódio de fundos imobiliários com elevadíssimas e crescentes taxas de "consultoria", e quando os cotistas solicitaram à administradora que apresentassem relatórios e cópias dos contratos, a resposta foi negativa, tendo os investidores que recorrerem à CVM, com resultado parcial.

Portanto, mais uma vez alerto: Muito cuidado ao ingressar em modalidades de investimentos que parecem "boas demais"...  pois o barato pode sair caro.

Quanto à BIVA... sigo acompanhando, e sinceramente tenho vontade de entrar em um portfolio deles no futuro - afinal de contas tudo que escrevi nesse post são meras elocubrações teóricas sobre riscos em potencial, e todos são inocentes até que se prove o contrário, não é?

E você? Já investiu ou tem vontade de investir com a BIVA? Deixe suas impressões nos comentários...



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Trabalhar, Descansar, Gastar, Poupar: o equilíbrio.

A piada é meio velha, e eu não sou lá muito boa em contar piadas, mas vou me esforçar ao máximo, para pelo menos ilustrar o post.



"Um executivo de uma empresa de laticínios vai a serviço para o interior de Minas para inspecionar algumas propriedades. Chegando lá, encontra na beira de um rio um mineirinho, em plena quarta-feira, pescando à sombra de uma árvore. O executivo pergunta ao mineiro:

executivo: - Homem, como você pode estar aí, descansando, pescando, em plena quarta feira? Por que não vai trabalhar?
mineirinho: - Trabalhar pra quê? - responde o mineirinho.
executivo: - Oras...  para ganhar um bom dinheiro!
mineirinho: - E dinheiro para quê?
executivo: - Para se fazer riqueza, atingir a independência financeira!
mineirinho: - Independência financeira? Pra quê?
executivo: - Bem... pra poder parar de trabalhar, curtir a vida, descansar sem se preocupar com nada....
mineirinho: - Uai... mas não é  isso que eu tô fazendo!?

 Obviamente se trata de uma caricatura, mas nos faz ver que nem o executivo e nem o mineirinho conseguiram o equilíbrio. Um buscava a riqueza de forma frenética, deixando de lado seu lazer. O outro, por sua vez, nem sequer se esforçava para conseguir o mínimo de dinheiro. É preciso haver um meio-termo.

Quem leu o livro dos "7 hábitos das pessoas altamente eficientes", lembra que o autor dividiu as coisas que devemos fazer em 4 quadrantes, conforme seu grau de importância:

Nossa postagem aqui não é sobre quadrantes, mas podemos utilizar a mesma estrutura, para definir como podem ser nossas relações com o trabalho e o dinheiro. Veja que quanto mais trabalhamos, mais ganhamos dinheiro... mas ao mesmo tempo temos cada vez menos horas de lazer e repouso - que no final das contas geralmente são o objetivo final do trabalho, não é? O problema é que quando separamos as diferentes variáveis:  Trabalho x Repouso - como forma de gerar nosso dinheiro, e uma vez que conseguimos o dinheiro temos que pensar entre Gastar x Poupar, percebemos que muitas dessas alternativas acabam sendo mutuamente excludentes: Não é possível obviamente trabalhar muito e repousar muito, assim como não dá para gastar muito e poupar muito. As combinações possíveis que determinam nossa relação com o trabalho e o dinheiro, se resumem a modular a quantidade de trabalho (e consequentemente de repouso), e a quantidade de gasto (e consequentemente de poupança). Fazendo uma combinação das variáveis possíveis, temos as seguintes opções:


Veja que por mais que a gente queira ver com bons olhos, muitos de nós automaticamente olham para os quadrantes e percebemos que estamos em um deles. Isso é sinal de falta de equilíbrio. Viver em extremos aumenta certamente a eficácia no curto prazo, porém no longo prazo acaba nos desgastando, e gera situações que vão se tornando mais e mais insustentáveis. Se você está lendo este artigo, é porque, assim como eu, quer chegar na independência financeira. Talvez você esteja no primeiro quadrante, assim como eu estou.... Trabalhando duro, gastando pouco... vivendo uma vida frugal. Saiba, entretanto, que não podemos confundir frugalidade com pão-durismo. Economizar é bom, sim... mas lembre-se do que diz a maga das finanças, Suze Orman:


"People first, then money, then things."

Antes de economizar, olhe para a prioridade número um, que são as pessoas. Você tem plano de saúde? Seus familiares estão precisando de alguma ajuda financeira? Seus filhos estudam em um bom colégio?  Você tira férias com sua mulher ou filhos? Você passa tempo suficiente com as pessoas que ama? Você está investindo em sua formação profissional? Uma vez que as pessoas estejam com suas necessidades garantidas... é hora de pensar no dinheiro. Pensar na sua independência financeira, na sua aposentadoria, no seu fundo de reserva.... e só então você pode - e deve - gastar um pouco com as "coisas": Aquele carro bonito, aquela roupa de marca, aquele relógio, iPhone, Playstation, etc.

A palavra de ordem, portanto, é equilíbrio. Tenha as prioridades bem claras em seu projeto de vida, mas lembre-se de que o mais importante são as pessoas... senão você pode chegar aos 50 anos e perceber que passou a vida perdido na corrida dos ratos...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Afinal... preço de compra importa ou não?


Mantenha a calma, e esqueça o preço. Você gosta de uma ação ou um fundo imobiliário e pensa em comprar? Você simpatiza com uma empresa, e vê boas perspectivas de mercado, mas a ação está muito cara? Você gosta de um FII mas ele está "caro demais" para entrar? Esqueça tudo isso. Preço não importa.

Eu sei que esse é um assunto extremamente polêmico, com defensores ferrenhos da teoria do "preço não importa" como o Bastter... e outros tantos ativistas do contra que defendem que o preço de compra importa sim. Dessa forma, justamente por ser um assunto que não tem um consenso, já aviso a todos que meu objetivo aqui é apenas dar a minha opinião sobre isso, e não dizer o que é o certo, tá? Vamos lá.

Compre na baixa, venda na alta?


Durante sua vida toda em finanças, você sempre ouviu dizer que tem que comprar na baixa e vender na alta para ter lucro no mercado de renda variável. Parece fazer sentido, não é? Afinal de contas... só assim para ter lucro. O grande problema é que essa diretriz, aparentemente simples, não funciona. Primeiro porque temos um grande problema de acertar o exato momento de fundos e topos. Me recordo no ano de 2014, quando as ações da PETR4 cruzaram a barreira dos 10 reais. Todo mundo dizia na época que era o "fundo do poço", e que não tinha como cair mais que aquilo. Não vamos esquecer que estamos falando de um papel que chegou a custar 40 reais. Muita gente comprou PETR4 a R$ 9,50... simplesmente para ver o papel derreter morro abaixo, mês após mês, até R$ 4 reais, a mínima histórica uns anos depois. Também não dá para adivinhar os topos.

O movimento oscilatório das ações faz com que seja impossível dizer se a ação está numa tendência de alta ou de baixa. 

- Pera aí, gatinha... como assim não dá pra saber se existe tendência de alta? E pra que servem as médias móveis???

Explico. Primeiro, que não é possível fazer qualquer tipo de previsão sobre o preço futuro de um papel baseado no desempenho dos últimos meses.Um papel que subiu de forma linear 150% nos ultimos 12 meses, por incrível que pareça, não está numa tendência de alta. Eu sei que é dificil aceitar isso, mas é verdade. Existe apenas um histórico de alta, que não tem nenhuma utilidade para fazer previsões sobre o comportamento futuro do preço. Portanto, aprenda a primeira lição: Rendimento passado não serve para prever rendimento futuro. Isso que você lê em letras pequenas nas propagandas de fundos de investimento é mais do que meia duzia de palavras, é a nua e crua realidade.

Não se iluda. Não existe tendência de alta nesse papel.
 Um tempo atrás, eu estava fazendo uma pesquisa sobre robôs de investimento. Comprei meia dúzia de livros sobre o assunto, e sobre desenvolvimento de Trading Systems. Uma das coisas que mais me marcou, foi um dos livros, que ao contrário dos demais, apresentou dados estatísticos e científicos sobre diferentes abordagens, com resultados que me deixaram boquiaberta, como por exemplo:

- O uso de "stops" não diminui as perdas.
- O uso de "stop gain" não aumenta os lucros. 

Creio que iria me extender demais se tentasse comentar detalhadamente os resultados acima, mas o fato é que em uma sequência de muitos e muitos trades, colocar stops maiores ou menores não muda a rentabilidade global da carteira, pois se  por um lado ele evita perdas em alguns momentos, em outros momentos ele encerra a posição com prejuízo pouco antes do mercado se recuperar e virar para lucro. Mas não é sobre stops que quero falar, e sim sobre o assunto principal, que é o "ponto de entrada" no papel. 

Esse mesmo autor fez testes com diferentes papéis, das três formas:

- Ponto de entrada na mínima dos últimos "x" dias/meses.
- Ponto de entrada na máxima dos últimos "x" dias/meses.
- Ponto de entrada aleatório.

O resultado? Não conseguiu obter de forma consistente resultado melhor em nenhuma das estratégias, em nenhuma janela de tempo (curto, médio, ou longo prazo). Mas qual é a explicação, para todas essas conclusões de que falo nessa postagem, que vão na contramão de tudo aquilo em que acreditamos? A culpada por isso tudo, e a responsável pelo preço de compra ser irrelevante, é uma palavrinha mágica: "A eficiência do mercado".

"-Mas peraí, Gatinha... você falou que é uma palavrinha mágica, mas disse três".

Tudo bem... você está certo. Ainda assim, o mercado é eficiente. Mas... o que significa isso? O que é um mercado "eficiente"? Explico.

A "eficiência" do mercado é um termo que significa que o mercado financeiro é um expert em descobrir o preço justo de um papel qualquer. Ou seja.... todo papel sempre estará custando exatamente o que vale, nem um centavo a mais. Essa eficiência é tanta que o preço do papel é imediatamente ajustado em caso de qualquer nova informação que altere o senso de valor do ativo.  Devido a essa eficiência, como resultado temos que um ativo nunca estará nem caro, nem barato. O preço estará sempre justo. 

Conclusão? Não existe papel "caro". E se não existe papel "caro" ou "barato", finalmente chegamos na doutrina do Bastter: "O preço não importa". É claro que o preço não importa, porque o preço é sempre justo! Não existe papel caro. 

"-Mas pera aí, Gatinha... mas como funciona isso??"


Funciona da seguinte forma:

Digamos que a Empresa X tenha papéis na bolsa, e a ação está sendo negociada a R$ 10. Esse é o preço justo. Se a empresa divulgar um balanço com lucro fantástico, as pessoas vão se interessar mais pelo papel, que passará ser negociado a... R$ 12. Esse aumento de preço reflete uma mudança nas características do papel, que passou a valer mais por ter balanços bons.

Continuando o exemplo, a empresa depois de uns dias anuncia uma fusão com outra empresa importante, e o papel passa a custar R$ 15. Na sequência, essa mesma empresa lança um novo produto no mercado que faz um sucesso tremendo, e o papel vai a R$ 20.

Agora vamos analisar algumas questões simples, em forma de "perguntas e respostas".

- A ação está cara? 
Não. A ação está em seu preço justo, nem cara nem barata. Aquela ação que um dia custou "R$ 10" era diferente... era uma empresa sem balanços bons, sem fusão, sem novo produto.... Devido a essas novas características, R$ 20 é um preço justo, portanto a ação, apesar de ter dobrado, não está cara.

- A ação está com tendência de alta?
Não. A ação somente subiu. Pode passar a cair a qualquer momento. Não existe tendência alguma. Comportamento passado não é previsão de comportamento futuro.

- Mas o fato da empresa ter uma boa gestão, não é indicativo de que tenha tendência a crescer mais?
Pode ser, mas essa expectativa de crescimento já está incluída no preço, portanto não existe nenhuma "barganha". Como dizem, isso já está "precificado". 

Veja que o mesmo vale para papéis que caem. Se por qualquer motivo essa mesma ação passar para R$ 10 novamente, ela não estará de forma alguma barata. Ela simplesmente "piorou" suas características e passou a valer exatamente isso. Se o papel tivesse continuado cheio decaracterísticas boas, o preço não teria caído. Dessa forma, um papel que está "barato" é um papel que piorou muito.... e esse novo preço é o preço justo. 

O que faz os preços subirem ou descerem até chegar no exato preço justo é o que chamamos de "equilíbrio dinâmico".  Qualquer "novidade" ou alteração nas características do papel, irá gerar nos investidores de que o papel é uma boa (ou má) oportunidade de compra, gerando sucessivas compras ou vendas, até que.... o valor de mercado afunda livro adentro, até chegar uma hora em que... subiu tanto (ou caiu tanto), que lá se vai a pechincha.... e aí o preço estabiliza. Isso é equilíbrio dinâmico. É quando as coisas estabilizam não por estarem paradas... mas por haver um equilíbrio de forças contrárias. A gente vê isso em um pião girando por exemplo, ou em dois lutadores de sumô.

Estão parados no ringue. Devido a enormes forças contrárias iguais.
 Qual a conclusão de tudo isso? É a primeira imagem desse artigo. Esqueça preço. Escolha suas compras de ações ou FIIs pelas características do papel que te agradarem... (características de gestão, físicas, de balanço, etc), e esqueça o preço. Compre a mercado e seja feliz.