terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Independência financeira: Não tem nada a ver com juntar ou ganhar dinheiro.


Com a evolução da internet, existe tanta informação disponível hoje sobre dinheiro e investimentos; existem corretoras e bancos online, home brokers, e tudo está acessível para o cidadão comum. Todas aquelas opções que até pouco tempo eram restritas para especialistas. Lendo os blogs de finanças, parece que todo mundo é um expert no mercado de fundos imobiliários e finanças... Todo mundo fica falando na tal independência financeira, e contando quanto tempo falta para se libertarem.

Mas... será que o dinheiro realmente liberta? Ou será que o dinheiro na verdade é que aprisiona e acorrenta essas pessoas que acreditam que o dinheiro as libertará?

Veja bem... quando essas pessoas dizem que o dinheiro irá libertá-las, elas descrevem o vilão como uma vida medíocre, um trabalho insuportável, um chefe chato, uma vida de restrições e consequente infelicidade. Elas acreditam, assim, que a liberdade e a felicidade será finalmente alcançada quando conseguirem juntar uma grande quantidade de dinheiro - o mítico "milhão" e seus consequentes dividendos mensais.

Eu e você queremos ter a nossa independência financeira. Mas... realmente faz sentido ficar juntando dinheiro para isso? Durante muito tempo fiz essa pergunta para mim mesma, e a cada vez mais me convenço de que a independência financeira não se consegue juntando mais dinheiro. Me convenço mais e mais que juntar dinheiro nos torna escravos dele, e nunca nos libertará.

Você já deve ter visto uma daquelas propagandas ou até ter recebido e-mails da Empiricus, prometendo a você mundos e fundos, dizendo que se usar a estratégia inédita deles irá transformar 30 reais em 1 milhão... e que assim finalmente conseguirá sua independência financeira, não é?

Imagem ilustrativa
Você acha que o erro da propaganda deles é a óbvia impossibilidade de conseguir essa milagrosa multiplicação do dinheiro? Errado. O erro da propaganda, é vender a nós a idéia de que conseguir uma grande quantidade de dinheiro nos deixaria feliz.

Cada vez que recebo um desses e-mails da Empiricus eu penso comigo mesma:

 "-Independência financeira? bem... eu já tenho a independência financeira."

Mas a minha independência financeira não parece nada com o que as propagandas da Empíricus me tenta vender, e nem com o que leio nos manjados e repetitivos blogs da finansfera. Independência financeira parece ser uma palavrinha mágica de toda uma legião de sonhadores. Um objetivo quase divino de dezenas de milhares de pseudo investidores. Tanta gente tentando melhorar sua vida financeira, o que é bom. A gente deve, claro, melhorar nossa vida financeira, a gente deve buscar crescer financeiramente. Infelizmente, eu percebo que a maioria dos contadores de centavos tem uma perspectiva errada sobre o que isso significa, e seguem em um caminho que nunca vai levar a uma verdadeira independência financeira.

Embora seja um objetivo de tanta gente, e apesar de eu ter passado muitas e muitas horas dos últimos 12 meses estudando sobre formas de investir e multiplicar o dinheiro, eu não tenho tanta certeza assim do que significa essa tal independência financeira - como dá pra perceber lendo meu blog.

O que é a independência financeira? Uma ilusão? Ela pode realmente ser alcançada?

Após muita reflexão e introspecção, hoje eu entendo que sim, é possível atingir a independência financeira.

Mas para minha - e sua - surpresa, não tem nada a ver com ganhar ou acumular dinheiro. Atingir a independência financeira significa outra coisa. Explico.

Vou repetir, pois creio que isso seja importante: Atingir a independência financeira não tem nada a ver com o quanto dinheiro você acumulou ou ganha.  Portanto, se você busca sua IF juntando dinheiro, é hora de repensar sua estratégia de forma drástica.

Eu imagino que você deva estar pensando: "-Michelle, você tá louca! Como pode dizer isso num blog de investimentos??". Mas é isso mesmo. A sua independência financeira não vem do seu exterior ou da quantidade de zeros de sua carteira, ela vem do seu interior, vem dos seus pensamentos, vem de dentro de você.  É por isso que você vai encontrar algumas pessoas extremamente felizes e satisfeitas, mesmo sem ter dinheiro algum (como por exemplo as tias da cantina ou zeladoras da escola), e também vai encontrar médicos e advogados de sucesso totalmente infelizes com sua relação com o dinheiro e a vida. 

Você conhece alguém que está satisfeito com sua vida mesmo sem ganhar muito dinheiro? Essas pessoas dizem que tem um bom emprego, uma boa família, que tem suas coisinhas e vivem bem com elas. Elas parecem estar em paz consigo mesmas. Todos nós conhecemos alguém assim. Talvez não sejam muitas pessoas, mas todo mundo conhece alguém assim. Estas pessoas atingiram a verdadeira independência financeira.

Você conhece alguém que só reclama da vida e se lamenta, e ganha mais que você? Talvez você mesmo seja assim? Gente que está acorrentado por sua relação com o dinheiro, tem dívidas, prestações, preocupações... a liberdade passa longe.

O fato é que existem pessoas que não tem nada e estão felizes; existem pessoas que tem muito e são infelizes. Portanto, o primeiro passo pra atingirmos a independência financeira é entender que se trata  mais de um ponto de vista em relação ao dinheiro, do que da quantidade de dinheiro que você tem

Se você quer atingir a independência financeira, precisa entender que ela se trata de uma postura, uma visão, uma interpretação do que é o dinheiro, e não do dinheiro em si.

Creio que essa primeira idéia já deixei bem clara. Então vamos à segunda pergunta: 
"- Se independência financeira não tem a ver com ganhar ou acumular dinheiro, quais são as atitudes que nos trazem a IF?"

Veja algumas idéias do que é a verdadeira independência financeira:

Eu não me preocupo mais com dinheiro - Você alguma vez já se permitiu não se preocupar com dinheiro? Você provavelmente deve pensar: "Se eu tivesse dinheiro, não precisaria me preocupar com isso ou com aquilo." Mas quer saber? Você não precisa se preocupar, de uma forma ou de outra! Você pode simplesmente optar por não ficar se preocupando com dinheiro. Você tem o suficiente para viver? Para ter uma boa qualidade de vida? Pra quê mais?  Veja bem: "preocupação" significa o seguinte: um mau uso da imaginação. É ficar imaginando coisas ruins antes delas acontecerem. Percebeu a morfologia da palavra? pré-ocupação. É o inverso de ressentimento (que é sentir o que já passou). Aquele que se preocupa, sofre antes de acontecer. O pior tipo de pessoa é aquele que se preocupa antes, sofre na hora, e se ressente depois. Você é essa pessoa? Se sim, você precisa se libertar, pois você vive o inferno aqui na terra. O inferno são os outros? O seu inferno nesse caso é você e seus pensamentos. Ficar imaginando situações que nem sequer aconteceram só nos deixa nervosos. Ficar preocupado se seu FII vai ter vacância, ou se sua ação vai cair ainda mais, isso é escravidão financeira, e não liberdade. Eu decidi não me incomodar mais com dinheiro, e não faço mais isso. Eu não me preocupo mais com dinheiro, e você deveria fazer o mesmo. Fiz uma severa realocação do meu portfolio, e todo tipo de investimento que eu tinha que me trazia ansiedade foi convertido para modalidades que só me trazem paz. Isso faz parte da liberdade.  O dinheiro serve para nos dar segurança e tranquilidade, e não ainda mais ansiedade. O juro do tesouro vai cair mais? Vai subir? A Caruanã vai quebrar? O Máxima vai quebrar? A Torre Almirante vai alugar? Vai ter revisional no NSLU? Como estão as taxas do intermedium? O grupo já tem 1 milhão? Aeroporto de Guarulhos tá quebrado? CEMIG vai ser privatizada? Passa carro na rodovia  Tietê? Revisional em SPTW? Olho no HB todos os dias? Gente... isso tudo é loucura. Liberdade e independência não é isso. A gente precisa realmente se libertar.

Eu conheço muitas pessoas com dinheiro, e algumas delas que enriqueceram depois. Posso dizer que nunca nenhuma delas veio e me disse: "Michelle... estou tão mais feliz agora que tenho dinheiro...". Isso simplesmente não acontece. Qualquer pessoa que acha que o dinheiro vai comprar felicidade, com certeza nunca teve dinheiro. Dinheiro não traz felicidade. Nem um pouco. Se você quer realmente atingir a independência financeira, precisa acreditar nisso, ou você corre o risco de passar uma vida de privações, e quando finalmente chegar lá, sofrer da síndrome do "Tá, e daí?". Isso não é liberdade. Nós podemos ser feliz independente de nosso status financeiro. Sua felicidade tem muito mais a ver com a qualidade dos seus relacionamentos, com o tipo de vida que você vive, a forma como você lida com seus problemas, é daí que vem a felicidade. Independência financeira não vem de uma conta gorda. Vem da forma de você encarar a vida. 

O dinheiro é um instrumento para seus objetivos, mas não pode ser o objetivo em si. Vejo muitas pessoas definirem uma meta sobre quanto dinheiro querem juntar para dizer que atingiram o seu objetivo. Pois eu digo: Se o objetivo for apenas o dinheiro, ele nunca será o suficiente. Veja: dinheiro não pode ser o "fim". Dinheiro tem que ser o "meio". Uma vez entrevistaram o multibilionário americano Rockfeller, que continuava investindo e empreendendo mesmo depois de já ter uma enorme fortuna; e perguntaram para ele "Quanto dinheiro é suficiente?". A resposta dele é curiosa: "-Só um pouquinho mais..."

Você acredita que sua independência financeira vai ser feita de dinheiro? Pois corre o risco de terminar como um certo blogueiro, que ao atingir sua independência fianceira, continua no mesmo emprego, e vivendo uma vida de pobre... infeliz, e suas maiores preocupações na vida continuam sendo as mesmas: Juntar mais dinheiro, e elminar os quilos extras da barriga. Quanto dinheiro seria suficiente para ele realmente ser feliz e se libertar? "Just a little bit more..."




 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Reforma na previdência: Como isso vai nos afetar?

Recebemos essa recente notícia do pacotaço do governo para reforma da previdência. Inicialmente, quero deixar bem clara minha orientação política: Sou conservadora, da direita tradicionalista. Apesar de não ter "batido panela" e nem ido a nenhuma manifestação do "fora Dilma", me considero até certo ponto uma coxinha recolhida. Só não me enquadro no conceito de "elite branca" porque para elite ainda falta bastante, mas definitivamente branca eu sou, e demais até. 

Sabemos que a previdência está passando por problema orçamentários, mas não se pode confundir "saneamento de problemas financeiros" com algo que beira o absurdo, que é o que o governo propôs. Pela proposta enviada pelo executivo à câmara, para se aposentar com o valor integral para o qual contribuiu, o trabalhador deve ter idade mínima de 65 anos, e 49 anos de contribuição. Acaba a aposentadoria por tempo de contribuição. 

Esse projeto só pode ter saído de uma cabeça doentia, sem a menor noção do que é um ser humano. Depois de ter trabalhado em um serviço pesado por 49 anos - como pedreiro ou saqueiro - como alguém pode ter a menor condições te trabalhar? Ao mesmo tempo, aposentar-se com valor inferior às suas contribuições é no mínimo injusto para quem contribuiu por 48 anos e tem 65 de idade. Eu não sou expert em economia pública, mas conheço uma injustiça quando vejo uma .

Se nossos deputados e senadores tiverem um mínimo de bom senso que seja, esse projeto não vai passar do jeito que está. Estabelecer uma idade mínima de 65 anos, com no mínimo  25 anos de contribuição, me parece razoável, mas essa coisa de ter que trabalhar 49 anos a fio ficou difícil de engolir. 

Hoje eu fui ao mercado, comprar algumas coisas para o natal. Havia um senhor empacotando as compras. Tinha cara de ser aposentado. Tive uma breve conversa com ele, que me contou a sua história: Aposentou-se aos 60 anos de idade, com cerca de 40 anos de contribuição. Hoje tem 64 anos, mas o valor de sua aposentadoria (salário mínimo) não é suficiente para pagar seus remédios. Como resultado, teve que voltar a procurar emprego para completar o orçamento. Ele me contou que ficou muito feliz porque o supermercado tem um programa de reinserção de idosos aposentados. Me falou também que alguns amigos seus gostariam de poder fazer o mesmo, mas simplesmente não tem saúde para tal.

Sabe o que me deixou abismada com essa história? Ele não tem nem sequer a idade mínima atual para se aposentar (65 anos), e nem o tempo de serviço para receber a aposentadoria integral (49 anos de serviço). Essa pessoa que hoje participa de um programa social de reinserção de aposentados no mercado de trabalho, segundo a "nova lei" da aposentadoria seria mais um trabalhando. A questão é... será que ele (ou os amigos dele sem saúde) conseguiriam todos um emprego, nessa idade? 

O pior: não podemos nem sequer mais nos programar para nossa aposentadoria: se hoje a lei mudou para 65 anos para mulheres, quem disse que quando eu tiver 65 anos já não vai ter mudado para 70? Como uma professora pode continuar dando aula para crianças aos 65 anos? As turmas de crianças menores exigem uma energia enorme, além de que muitas vezes temos que pegar as crianças (pesadas) no colo e fazer muitos trabalhos manuais. Consigo imaginar a cena patética: As crianças me chamando de "vó" em vez de "tia". Isso porque, aos 65 anos provavelmente vou ser mais velha que as vós deles. Vou ser a "vovó Michelle" em vez da "Tia Michell". Já pensou? Ridículo só de pensar. 

Um idoso não é só um jovem de cabelo branco, como o governo quer acreditar. Os idosos tem uma série de problemas de saúde, dor nas costas, catarata nos olhos, diabete, pressão alta, eles não enxergam bem... muita gente fica trabalhando "no limite" contando os dias para se aposentar, pois a saúde já não ajuda. 

Dessa vez o governo errou. Talvez ele só tenha "trucado alto" pra conseguir aprovar pelo menos uma parte das medidas... pode ser isso. Mas creio que acabou-se a vergonha na cara e o respeito aos idosos. 

A nós, o que resta? A idependência financeira, obviamente. Se mantiver o ritmo atual de aportes, creio que em menos de 15 anos estarei na IF... sem depender das migalhas governamentais... que são menores a cada dia.

Sorte de nós, que temos conhecimento sobre investimentos, e somos capazes de gerir nosso patrimônio de forma eficiente para se atingir uma aposentadoria - comprando cotas de FII e tesouro direto 2035. Já para o "cidadão comum", que depende dos fundos DI de bancos grandes (que pagam 90% do CDI com come-cotas), e CDB a 77% do CDI, ou mesmo planos de previdência privada com 3% de taxa de administração... vejo um futuro negro. 

Temer errou dessa vez. Pesou demais a mão sobre quem o ajudou a "eleger".  

Aguardemos o bom senso da câmara e do senado para barrar essa infamidade.  Resultado? Desgaste político à toda. A seguir cenas dos próximos capítulos...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O trabalho e o dinheiro na sociedade

O ser humano tradicionalmente é um animal classificador. Estamos o tempo todo classificando todas as pessoas, dividindo em grupos, em castas, em categorias, em raças, etc. A origem disso se deu lá nos tempos das cavernas, nos primórdios da origem da espécie. De novo estou eu aqui falando de psicologia evolucionista, que é um dos meus assuntos favoritos.

Fez-se necessário criar grupos para que pudéssemos separar os nossos amigos dos inimigos. Isso porque grupos iguais trabalham por um objetivo em comum, em prejuízo dos demais. Assim, ao sabermos quem tem os mesmos interesses que nós, podemos separar as pessoas em "prejudiciais" e "auxiliadoras". Esse conceito parece um pouco complicado quando falamos de seres humanos, mas vou dar alguns exemplos animais, para ficar mais fácil: Existe um grupo dos tigres, e um grupo das zebras. A zebra não tem interesse nenhum em ajudar o tigre, pois quanto mais o tigre obtiver ajuda, pior a vida ficará para as zebras - que serão comidas. Usando essa relação caça-caçador fica fácil entender esse conceito. Mas esse conceito se aplica também em grupos similares, que disputam o mesmo nicho ecológico, como por exemplo os tigres e leões.Quanto melhor estiver a vida dos tigres, mais eles comerão as zebras; de forma que não vai sobrar muita zebra para os leões comerem, dificultando sua vida. A relação agora é de competição. Essas relações de competitividade ou mesmo de caça-caçador existem em todos os organismos vivos, mesmo entre os fungos e bactérias. Não se esqueça de que a penicilina (um antibiótico que mata bactérias) foi criada a partir de um fungo, que produzia uma substância específica para elimitar a competição. Entre as plantas, podemos também perceber árvores como o Pinus, que produz uma resina que mata as plantas ao seu redor. Voltemos, agora, à espécie humana. 

Todos os desejos e necessidades materiais dos seres humanos acabaram se traduzindo em dinheiro. O dinheiro é a moeda universal de troca, e por esse motivo ele representa tudo que uma pessoa pode precisar ou desejar em termos materiais. O uso do dinheiro possibilitou padronizarmos os sistemas de trabalho; ou mesmo determinar o valor de cada coisa de uma forma mais prática e objetiva. Quanto vale lavar um carro? R$ 30. Quanto vale uma pizza? R$ 40. Quanto vale um dia de faxina? Quanto vale uma noite em um hotel? Todos os produtos e serviços existentes no mundo agora tem seu valor traduzido em dinheiro. Mas quais são as formas de se ganhar dinheiro?

O dinheiro em nossa sociedade não pode ser criado. Isso porque o ser humano apenas colocou sua própria ordem na natureza, mas nunca deixamos de ser animais. A dita "sociedade organizada" não é mais organizada do que a vida selvagem. Continuamos sendo animais vivendo na natureza. Há duzentos anos Lavoisier já dizia: "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.". O dinheiro também é parte da natureza, portanto ele não pode ser criado ou perdido. Ele apenas se transforma - no nosso caso concreto, ele apenas muda de mão, se concentra ou se dilui. Mas como podemos conseguir dinheiro? Ou seja... como podemos fazer o dinheiro mudar de mão em nossa direção? Vendendo nossos produtos ou serviços em troca de dinheiro. E a essa troca de produtos ou serviços por dinheiro, nós chamamos de trabalho.

Todos precisam trabalhar para ganhar nosso dinheiro (sustento). Eventualmente algumas pessoas podem não trabalhar, mas alguém sempre está trabalhando por elas. Assim, para cada ser vivente existe sempre alguém trabalhando. A relação do homem com o trabalho passou por mudanças conceituais ao longo da história, conforme variavam os modelos de trabalho. Existem quatro modelos básicos de relação homem-trabalho que foram utilizados ao longo da história. Não é possível dizer que um seja "certo" ou outro seja "errado", uma vez que eles se encaixavam na visão de sua época, no geitgeist do período. As mudanças de um sistema para outro tiveram mais a ver com condições políticas e comerciais do que com a bondade humana. Julgar valores de outra época com os conceitos morais de hoje seria um erro, chamado de anacronismo. Ao longo da história vimos diferentes sistemas de produção:

Idade antiga - Nobre - artesão - escravo:  Os escravos executam o trabalho pesado. Os artesãos são os profissionais liberais e prestadores de serviço livres. Os nobres não trabalham, tendo sua parcela de trabalho executada pelos escravos.  Os artesãos ocupam um papel secundário.
Idade média - Nobre - artesão - servo: Similar ao sistema escravagista, porém com a diferença de que o nobre é dono da terra, mas não das pessoas. Sendo dono da terra, o suserano cobra uma espécie de imposto sobre quem mora em suas terras, como em um sistema de comodato. No final da idade média surgiu uma nova categoria de trabalhadores: Os comerciantes. As navegações, expedições, e o desenvolvimento do comércio (revolução comercial) gerou uma grande quantidade de dinheiro. Essas pessoas que enriqueceram através do trabalho (comerciantes) já não tinham espaço nesse sistema. Foi a ascenção da burguesia. Fez-se necessário romper com o sistema antigo, para levar os burgueses para o poder. Deu-se a revolução francesa. Criou-se uma nova igreja (que valorizava o trabalho), a igreja protestante, com sua máxima: "Aquele que não trabalha também não deve comer". Tudo isso era um repúdio aos nobres (que não trabalhavam), e uma forma de se valorizar a nova classe social.
- Comunismo - No sistema comunista não existem escravos ou servos, mas todos trabalham pela comunidade, como em uma colônia de abelhas. O trabalho de todos é dividido em partes iguais entre os membros. Há uma bem pequena parcela de governantes (a chamada "esquerda caviar"), que vive em um mundo secreto de riqueza.
- Capitalismo - Aqui "quem pode mais chora menos". As pessoas trabalham em troca de dinheiro, e quem conseguir gerar mais dinheiro tem uma vida melhor, em detrimento daqueles que não conseguem. Existe muita desigualdade e injustiça social. 

(continua)3

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Realizei o lucro cedo demais: Adeus EMBR3

Você lê o título e na hora pensa: A-há! Eu sabia que essa tal Gatinha Investidora não ia aguentar a pressão! Correu do páreo! Mal entrou e já vendeu tudo!

Bem... não é bem assim. Como vocês devem ter lido já em um post que fiz há 2 dias, eu estreei no mercado de ações comprando EMBR3. Os motivos que me levaram a fazer essa compra você encontra no post original. O fato é que: Faz apenas 2 dias que eu entrei no trade, e já saí? Pois é. Burrice? Pense bem antes de responder. De lá para cá algumas coisas aconteceram.

O dia foi de pânico nos mercados. Ibovespa desaba quase 4%.  Mas...talvez você não saiba que existem um grupo de 4 ações que são contra-cíclicas: ou seja, elas operam ao inverso da bolsa. Essas ações são Fibria, Suzano, Klabin e Embraer. Como eu já expliquei antes, elas são contra-cíclicas pois suas receitas e dívidas são sempre em dólar. E nós sabemos que o dólar está sempre ao contrário do ibovespa, não sabemos? Dessas, Fibria e Suzano possuem uma relação mais direta, enquanto embraer e Klabin possuem uma relação mais fraca, pois apesar de ter receita em dólar, uma parte das despesas importante está em reais. Vamos relembrar um gráfico famosos?

Mas vamos voltar ao dia de hoje. As manchetes do Infomoney, como sempre alarmistas:


Não vou entrar em detalhes sobre os motivos da queda, mas vou apenas à parte que interessa: Embraer disparou.

E eu all-in em EMBR3... chato, né?

Não me restava muito o que fazer. Minha ação já havia subido 3% em dois dias. Zerei a posição e realizei o lucro. Mas não foi cedo demais? Sim, foi. Justamente quando o BTG dá a recomendação de compra do meu papel, eu saio? Isso mesmo, mas não foi à toa. Primeiro, que eu já vi há pouco tempo a EMBR3 dar uma fogueteada de mais de 10% faz umas semanas, apenas para voltar a cair. Segundo que não faz muito tempo eu li um dos livros que considero a bíblia do investimento em ações - junto com "O investidor inteligente". Esse livro que eu li é: "Os axiomas de Zurique".

Esse livro é leitura obrigatória no primeiro ano de qualquer faculdade de economia. Descreve as técnicas usadas pelos banqueiros de Zurique (obviamente) para enriquecer no mercado de ações. Tá... mas o que isso tem a ver com realizar o lucro cedo demais? Bem... esse é um dos axiomas, um dos poucos de que eu me lembrava bem!!


Vocês lembram como eu estava preocupada pois não fazia a menor idéia de quando deveria vender? Quando meu papel rendeu em 2 dias o equivalente a 2 meses na renda fixa (e isento de imposto de renda), não pensei duas vezes. Realizei meu lucro. Embolsei um bom dinheiro, e comprei tudo em FII. Covardia? Pode até ser... mas eu estava ansiosa demais com esse negócio de ações... talvez não seja pra mim mesmo. Minha planilha indicava compra de AMBEV hoje mas... Não tive coragem de trocar o certo pelo duvidoso, e fazer como o jogador que aposta de novo o lucro da roleta e acaba ficando sem nada. 

Portanto... minha carteira hoje tem mais alguns FIIs... com umas cotas extras referentes ao lucro que obtive com a venda das minhas ações de Embraer. Aproveitei a recente baixa de MXRF11 e aumentei minha posição, ficando com a distribuição assim:
13º e trades fazendo milagres


Eu sei que haters gonna hate, mas... quando falamos em dinheiro, o "certo" é aquele que efetivamente consegue ganhar mais, e não aquele que "está" certo. Como meu portfolio está mantendo um pujante ritmo de 2% ao mês desde agosto, creio que estou no caminho certo. 

Em tempo: Estou muito feliz porque hoje é um dia muito especial e importante para mim. Não bastasse meu trade de sucesso, meu portfolio ganhou um dígito a mais: vou ter que aumentar a largura dos campos na minha planilha de fechamento... Tá garantido o peru!







quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Robôs de investimento: Dá pra ficar rico com eles?

Os robôs de investimentos tem sido um dos assuntos mais comentados nos últimos anos. Basicamente, tratam-se de programas de computador que atuam no mercado financeiro, comprando e vendendo ações quando eles "acham" que é um bom momentos. Estes robôs nada mais são do que softwares conectados à bolsa de valores. Existem inclusive plataformas dedicadas só para isso, sendo o sistema mais conhecido o "metatrader".

A questão é que existem esses robôs aos montes no mercado. A maioria deles alega conseguir lucros exorbitantes, mas obviamente nenhum deles provou funcionar até hoje. No próprio site da XP investimentos, se você opera mini-indice, existe a opção de fazer os invstimentos automaticamente com o uso de um robô.

Eu testei a ferramenta, e posso dizer que minha experiência não foi boa. O robô da XP emite dezenas de ordens de compra e venda em um único dia. Ganha em umas, perde em outras. Não dá pra dizer que a gente chegue a perder dinheiro com ele, pois o robô usa stops, mas ganhar também não consegui. Sendo assim, ao meu ver o robô acaba sendo apenas uma ferramenta de gerar corretagem para a XP... sem resultados comprovadamente bons no longo prazo. Como diversão, achei interessante, mas não é algo que dê para levar a sério. 

Assim são com todos os outros robôs que procurei. Se você escrever no google "robô de investimento", vai encontrar uma centena deles; todos com programas de assinatura, prometendo mundos e fundos. A eficácia, obviamente não existe, pois se fosse possível realmente enriquecer usando o robô, seu inventor não precisaria vender assinaturas por R$ 20.... era só usar o próprio robô e ficaria rico.

Um dos casos mais notórios no Brasil aconteceu com um sujeito chamado "Melão", que há alguns anos criou um robô de investimentos chamado "Saturno V". Ele diz que é uma das pessoas mais inteligentes do planeta, e que seu robô é capaz de lucros fantásticos. Passou a anunciar publicamente que vendia cotas de um fundo de investimento usando seu robô... Levou uma bela catracada da CVM, e foi proibido de operar no mercado financeiro. Como resultado, se "exilou" para fora do Brasil, e hoje seu robô opera no obscuro mercado de Forex. Segundo ele, com lucros espetaculares. Só pagando pra ver mesmo. E pagando muito, porque a assinatura do tal robô custa milhares de reais... No fórum do Bastter achei alguns comentários sobre o assunto também.

Nos EUA existem uma infinidade desses robôs, inclusive há serviços de assinatura que permitem "clonar" todos os trades do robô usando o nosso próprio dinheiro, em associação com uma corretora. É só entrar no site do Metatrader pra encontrar. Alguns números que a gente encontra por lá realmente fazem crescer os olhos e a ganância... mas não se iluda pela promessa de dinheiro fácil, pois sabemos que não existe tal coisa. O dinheiro fácil na bolsa de hoje é a antiga alquimia da idade média, que prometia transformar chumbo em ouro. Ou a cornucópia dos gregos, que era uma espécie de chifre do qual jorravam riquezas infinitas para quem o encontrasse. O fato é que o ser humano sempre foi fascinado pela possibilidade de se ganhar dinheiro fácil. Conseguir... bem, aí são outros 500.



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Começando no mundo das ações: EMBR3

Hoje é um dia muito importante para mim: Comprei minha primeira ação.  Conforme havia falado nesse post, queria comprar mais fundos imobiliários. Cumpri a promessa, e comprei algumas cotas de MXRF11. Mas sobre isso vou falar depois. Quero agora falar das ações!

Eu sempre tive muito medo de investir em ações, por motivos óbvios: Elas adoram cair quando a gente compra. Já ouvi falar de muita gente que compra ações e depois elas caem horrores, e a pessoa fica no maior prejuízo!

Como não entendo nada de ações, decidi que a melhor forma de evitar que minha ação caísse, seria comprar uma que já caiu tudo que tinha para cair. Fiz uma pesquisa nas ações que compõe o IBOVESPA, e descobri que a que mais caiu nos últimos 12 meses foi a Embraer, e portanto essa foi a minha compra. Vou confessar que não sei por que ela caiu tanto nesses meses. Mas acho que deve ser devido à queda do dólar, e à eleição do Trump. Pois a Embraer exporta aviões né? Então se o dólar cai, a empresa lucra menos... e se o Trump colocar barreiras alfandegárias nos EUA, vai parar de comprar nossos super tucano (um ótimo avião de treinamento e combate fabricado pela Embraer). Tudo isso faria a EMBR3 cair. Se tem algum outro motivo, ou se os motivos não são esses, juro que não sei. Mas se quer saber, nem me importa muito. Eu assisti a uns vídeos no youtube sobre ações, muito bons, sobre análise gráfica, de um povo chamado "Equipe trader". Eles falaram nesses vídeos que você não pode analisar o gráfico e os fundamentos ao mesmo tempo, porque o preço já reflete tudo (inclusive todos os fundamentos), e ao se considerar os fundamentos + gráfico você está levando em conta duas vezes a mesma coisa, o que pode atrapalhar. Dessa forma, minha análise para compra vai ser 70% técnica e 30% intuição feminina. Nada de fundamentos ou ficar calculando suportes e resistências. Sei que a escolha não parece lá ser muito avançada, mas pra mim já foi o suficiente, né? Mas vou explicar melhor os meus motivos:

Eu fiz a seguinte linha de pensamento: Uma ação só da lucro quando sobe. Vocês lembram da postagem que eu fiz sobre o eterno devir, que é a tendência das coisas de se tornarem seus opostos? Pois é.. pra quem não lembra,  tá nessa postagem, no sétimo parágrafo. Não vou repetir o que disse, mas o resumo é que eu acredito que tudo sempre tende a caminhar para se tornar o seu oposto. Por essa teoria, uma ação que caiu muito portanto tenderia a subir. A maioria dos analistas gráficos acredita no contrário: Aquilo que está subindo tende a subir ainda mais - a teoria do momentum. Como eu acredito no devir de Platão e Heráclito, apliquei isso para minha estratégia de investimentos, e comprei a ação que mais caiu.

-"Peraí, gatinha, você tá me dizendo que sua estragégia em ações é baseada em filosofia? "

Basicamente... isso mesmo!! =^.^= 

Mas vamos lá continuar. Minha pesquisa mostrou que a ação que mais caiu foi a Embraer. Ela tá no chão. Então segundo minha teoria, ela tem agora uma "vontade própria" para subir.  Portanto eu entrei comprada, e agora tenho que aguardar a natureza fazer a sua mágica. Quando minah ação da embraer subir bastante, eu vendo. 

Não sei ainda "quanto" tenho que esperar ela subir até vender - principalmente porque nunca vendi uma ação antes.... mas isso eu descubro no caminho. Você que lê meu blog já deve ter escutado minha frase-símbolo: "Vem comigo no caminho eu te explico!!!". Portanto, estou definitivamente comprada em EMBR3,  a R$ 16,70 por ação!! Essa é a minha posição. Espero que alguém "me explique" a hora que devo vender, né? rsrsrsrs .. 

Como eu tinha pouco dinheiro, só deu pra comprar EMBR3 mesmo.... mês que vem eu compro alguma outra, né? Por enquanto vai ser só essa. Minha carteira, agora, ficou assim:

Tá relativamente bem balanceada:  56% renda fixa e 44% renda variável, sendo que a parte da renda variável é composta por FII (38%) e ações (5%).

O Gustavo Cerbasi - expert em investimentos - diz que pra gente saber a quantidade de renda variável na carteira, tem que diminuir nossa idade de 80. Por exemplo: Se você tem 25 anos, deve ter 80 - 25 = 55% de renda variável na carteira. Se você tem 80 anos, deve ter 0%, né?

Dessa forma, os 44% de renda variável na minha carteira não estão tão ruins assim. Meu objetivo é comprar ações mais uns dois meses, pra subir a participação de 5% pra 15%. Acho que comprar ações é igual perder a virgindade, né? depois que começa, não pára mais! Ou melhor... só para quando algo der errado... :)

Eu comecei a registrar minha vida de investidora em maio. De lá pra cá minha carteira quadruplicou, e a rentabilidade média foi de 2% ao mês, com uma carteira composta basicamente por FII e LCI. Agora que estou entrando pesado no mundo da renda variável propriamente dita (ou seja ações), creio que vai ser a hora em que separamos as mulheres das meninas! Quero ver como vai se comportar esse gráfico no ano que vem, né? Aguardamos as cenas dos proximos capítulos. Eu vou confessar que não faço a menor idéia no que vai dar.... mas se minha estratégia de ações não for pra frente depois de 12 meses, juro que largo dessa vida de "trader", e volto pra renda fixa + FII.

Acho que não adianta muito eu fazer um gráfico da minha carteira de ações... mas lá vai!!
Bem... sem graça, né? Porque só tem uma ação.. EMBR3. hehehe.. Mas chega de falar em ações, e vou dar uma pincelada nos FIIs.

Cumprindo minha promessa, comprei mais cotas de fundos imobiliários. Minha escolha foi MXRF11, que ao meu ver tá com um dividendo bom, e é um fundo-de-fundos, ou seja, facilita minha vida para escolher a carteira. É um dos FIIs que não andou subindo muito ultimamente, portanto achei que tava barato para comprar. Faz uns meses eu tinha dado uma olhada na carteira dele, e se nao me engano ele tem 12% de de papel na carteira (não tenho certeza agora se estou confundindo com FIXX11). Isso não é mau não, afinal de contas os fundos de papel andam rendendo até melhor que os de tijolo, né? Pois essa foi a minha escolha. Não faz tanta diferença assim, pois comprei só um pouquinho mesmo - o grosso do mês foi para ações da Embraer. 

Bem gente... era isso que tinha pra contar!! Eu vou confessar que tava meio com preguiça de escrever aqui no blog de finanças, porque tô bem mais empolgada pra escrever só lá no Cantinho da Misty, meu blog de coisinhas fofas e pensamentos...  Mas não adianta eu escrever só lá e parar de escrever aqui, principalmente porque até agora 100% das visitas de lá são daqui, né? Como o blog tem pouco conteúdo, ele ainda não tá indexado no google, e não sai nada de visitas oriundas do google. Muito diferente daqui do blog da Gatinha Investidora, que tem uns 70% das 2000 visitas diárias originárias do google, e 30% de outros blogs... 

Mas... se você tiver tempo, depois dá uma passadinha lá no Cantinho da Misty, tá? Vou começar a fazer uma série sobre "como criar um blog". Legal, né? Quem nunca pensou em ter um?